sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

''Os normais levantavam sempre do mesmo jeito. Reclamavam da mesma maneira. Irritavam-se do mesmo modo. Xingavam com as mesmas palavras. Cumprimentavam os intimos da mesma forma. Davam as mesmas respostas para os mesmos problemas. Expressavam o mesmo humor em casa, na rua, e no trabalho. Tinham as mesmas reações diante das mesmas circunstâncias. Davam presentes nas mesmas datas. Enfim, tinham uma rotina estafante e previsível, que se tornava uma fonte excelente para a ansiedade, a angústia, o vazio.. O sistema havia enfartado a imaginação das pessoas, corroera a sua criatividade. Elas raramente surpreendiam. Raramente davam presentes em dias inesperados. Raramente agiam de modo distinto em situações tensas. Raramente procuravam enxergar por outros ângulos. Eram priosioneiros e não sabiam. Os normais não sabiam encantar, não sabiam contar sua própria experiências para estimular as ideias dos outros. O vendedor de idéias, esse sim, vendia continuamente o sonho do encantamento. Como pode alguém que não tem nada exteriormente cativar tanto? Como pode um homem sem teoria pedagógica bombear tanto nossa imaginação ? Andar com ele era um convite a inovação! Navegávamos sem destino traçado. Ele via por ângulos distintos situações ordinárias. Não sabiámos qual seria sua resposta. Mas no fundo ele sabia o que queria e onde queria chegar. Estava nos treinando a encontrar uma liberdade inimaginável. Cada dia era um canteiro de surpresas. Na manhã seguinte, o mestre se levantou, aspirou algumas vezes longamente o ar poluído do viaduto e agradeceu a Deus de um modo inusitado: - ''Deus, você caminha nas reentrâncias do tempo, está infinitamente distante, e infinitamente próximo, mas sei que seus olhos me espreitam. Permita-me captar seus sentimentos. Obrigada por mais um show nessa surpreendente existência!'' Boca de mel, que era vidrado em shows, disse : - ''Que show nós iremos ver, chefinho''? - E expressou com entusiasmo raramente vivenciado. O vendedor de sonhos reagiu, deslumbrado: - ''Show ? cada dia é um show, cada dia um espetáculo. Só não o descobre quem está mortalmente ferido pelo tédio. O drama e a comédia estão em nosso cérebro. Basta despertá-los!'' / livro : O vendedor de sonhos ( Augusto Cury )